{"id":119,"date":"2019-10-11T10:36:46","date_gmt":"2019-10-11T13:36:46","guid":{"rendered":"https:\/\/dovergilio.com\/rede\/?page_id=119"},"modified":"2019-10-11T10:36:48","modified_gmt":"2019-10-11T13:36:48","slug":"o-evangelho-de-mateus","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/dovergilio.com\/rede\/o-evangelho-de-mateus\/","title":{"rendered":"O Evangelho de Mateus"},"content":{"rendered":"<p>Este Evangelho, transmitido em grego pela Igreja, deve ter sido escrito originariamente em aramaico, a l\u00edngua falada por Jesus. O texto actual reflecte tradi\u00e7\u00f5es hebraicas, mas ao mesmo tempo testemunha uma redac\u00e7\u00e3o grega. O vocabul\u00e1rio e as tradi\u00e7\u00f5es fazem pensar em crentes ligados ao ambiente judaico; apesar disso, n\u00e3o se pode afirmar, sem mais, a sua origem palestinense. Geralmente pensa-se que foi escrito na S\u00edria, talvez em Antioquia ou na Fen\u00edcia, onde viviam muitos judeus, por deixar entrever uma pol\u00e9mica declarada contra o juda\u00edsmo farisaico. Atendendo a elementos internos e externos ao livro, o atual texto pode datar-se dos anos 80-90, ou seja, algum tempo ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>AUTOR<\/p>\n<p>Do seu autor, este livro nada diz; mas a mais antiga tradi\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica atribui-o ao ap\u00f3stolo Mateus, um dos Doze, identificado com Levi, cobrador de impostos (9,9-13; 10,3). Pelo conhecimento que mostra das Escrituras e das tradi\u00e7\u00f5es judaicas, pela for\u00e7a interpelativa da mensagem sobre os chefes religiosos do seu povo, pelo perfil de Jesus apresentado como Mestre, o autor deste Evangelho era, com certeza, um letrado judeu tornado crist\u00e3o, um mestre na arte de ensinar e de fazer compreender o mist\u00e9rio do Reino do C\u00e9u, o tesouro da Boa-Nova anunciada por Jesus, o Messias, Filho de Deus.<\/p>\n<p>COMPOSI\u00c7\u00c3O LITER\u00c1RIA<\/p>\n<p>Mateus recorre a fontes comuns a Mc e Lc, mas apresenta uma narra\u00e7\u00e3o muito diferente, quer pela amplitude dos elementos pr\u00f3prios, quer pela liberdade com que trata materiais comuns. O conhecimento dos processos e os modos pr\u00f3prios de escrever de Mateus s\u00e3o de grande import\u00e2ncia para a compreens\u00e3o do livro actual: compila\u00e7\u00e3o de palavras e de factos, de \u201cdiscursos\u201d e de milagres; recurso a certos n\u00fameros (7, 3, 2); paralelismo sinon\u00edmico e antit\u00e9tico; estilo hier\u00e1tico e catequ\u00e9tico; cita\u00e7\u00f5es da Escritura, etc..<\/p>\n<p>DIVIS\u00c3O E CONTE\u00daDO<\/p>\n<p>Apesar dos caracter\u00edsticos agrupamentos de narra\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil determinar o plano ou estabelecer as grandes divis\u00f5es do livro. Dos tipos de distribui\u00e7\u00e3o propostos pelos cr\u00edticos, podemos referir tr\u00eas:<\/p>\n<p>1. Segundo o plano geogr\u00e1fico: o minist\u00e9rio de Jesus na Galileia (4,12b-13,58), a sua actividade nas regi\u00f5es lim\u00edtrofes da Galileia e a caminho de Jerusal\u00e9m (14,1-20,34), ensinamentos, Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o em Jerusal\u00e9m (21,1-28,20).<\/p>\n<p>2. Segundo os cinco \u201cdiscursos\u201d, subordinando a estes as outras narra\u00e7\u00f5es: resulta da\u00ed um destaque para a dimens\u00e3o doutrinal e hist\u00f3rica da exist\u00eancia crist\u00e3.<\/p>\n<p>3. Segundo o objectivo de referir o drama da exist\u00eancia de Jesus: Mateus apresenta o Messias em quem o povo judeu recusa acreditar (3,1-13,58) e que, percorrendo o caminho da cruz, chega \u00e0 gl\u00f3ria da Ressurrei\u00e7\u00e3o (14-28).<\/p>\n<p>Aqui, limitamo-nos a destacar:<\/p>\n<p>I. Evangelho da Inf\u00e2ncia de Jesus (1,1-2,23);<br \/>\nII. An\u00fancio do Reino do C\u00e9u (3,1-25,46);<br \/>\nIII. Paix\u00e3o e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus (26,1-28,20).<\/p>\n<p>TEOLOGIA<\/p>\n<p>Escrevendo entre judeus e para judeus, Mateus procura mostrar como na pessoa e na obra de Jesus se cumpriram as Escrituras, que falavam profeticamente da vinda do Messias. A partir do exemplo do Senhor, reflecte a praxe eclesial de explicar o mist\u00e9rio messi\u00e2nico mediante o recurso aos textos da Escritura e de interpretar a Escritura \u00e0 luz de Cristo. Esta caracter\u00edstica marcante contribui para compreender o significado do cumprimento da Lei e dos Profetas: Cristo realiza as Escrituras, n\u00e3o s\u00f3 cumprindo o que elas anunciam, mas aperfei\u00e7oando o que elas significam (5,17-20). Assim, os textos da Escritura neste Evangelho confirmam a fidelidade aos des\u00edgnios divinos e, simultaneamente, a novidade da Alian\u00e7a em Cristo.<\/p>\n<p>Nele ressaltam cinco blocos de palavras ou \u201cdiscursos\u201d de Jesus: 5,1-7,28; 8,1-10,42; 11,1-13,52; 13,53-18,35; 19,1-25,46. Ocupam um importante lugar na trama do livro, tendo a encerr\u00e1-los as mesmas palavras (7,28), e apresentam sucessivamente: \u201ca justi\u00e7a do Reino\u201d (5-7), os arautos do Reino (10), os mist\u00e9rios do Reino (13), os filhos do Reino (18) e a necess\u00e1ria vigil\u00e2ncia na expectativa da manifesta\u00e7\u00e3o \u00faltima do Reino (24-25).<\/p>\n<p>Desde o s\u00e9c. II, o Evangelho de Mateus foi considerado como o \u201cEvangelho da Igreja\u201d, em virtude das tradi\u00e7\u00f5es que lhe dizem respeito e da riqueza e ordena\u00e7\u00e3o do seu conte\u00fado, que o tornavam privilegiado na catequese e na liturgia. O Reino proclamado por Jesus como ju\u00edzo iminente \u00e9, antes de mais, presen\u00e7a misteriosa de salva\u00e7\u00e3o j\u00e1 actuante no mundo. Na sua condi\u00e7\u00e3o de peregrina, a Igreja \u00e9 \u201co verdadeiro Israel\u201d onde o disc\u00edpulo \u00e9 convidado \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 miss\u00e3o, lugar de tens\u00e3o \u00e9tica e penitente, mas tamb\u00e9m realidade sacramental e presen\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o. N\u00e3o identificando a Igreja com o Reino do C\u00e9u, Mateus continua hoje a recordar-lhe o seu verdadeiro rosto: uma institui\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e uma comunidade provis\u00f3ria, na perspectiva do Reino de Deus.<\/p>\n<p>Como os outros Evangelhos, o de Mateus refere a vida e os ensinamentos de Jesus, mas de um modo pr\u00f3prio, explicitando a cristologia primitiva: em Jesus de Nazar\u00e9 cumprem-se as profecias; Ele \u00e9 o Salvador esperado, o Emanuel, o \u00abDeus connosco\u00bb (1,23) at\u00e9 \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria (28,20); \u00e9 o Mestre por excel\u00eancia que ensina com autoridade e interpreta o que a Lei e os Profetas afirmam acerca do Reino do C\u00e9u (= Reino de Deus); \u00e9 o Messias, no qual converge o passado, o presente e o futuro e que, inaugurando o Reino de Deus, investe a comunidade dos disc\u00edpulos a Igreja do seu poder salv\u00edfico.<\/p>\n<p>Assim, no cora\u00e7\u00e3o deste Evangelho o disc\u00edpulo descobre Cristo ressuscitado, identificado com Jesus de Nazar\u00e9, o Filho de David e o Messias esperado, vivo e presente na comunidade eclesial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este Evangelho, transmitido em grego pela Igreja, deve ter sido escrito originariamente em aramaico, a l\u00edngua falada por Jesus. 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