{"id":111,"date":"2019-10-11T10:29:04","date_gmt":"2019-10-11T13:29:04","guid":{"rendered":"https:\/\/dovergilio.com\/rede\/?page_id=111"},"modified":"2020-01-11T08:02:19","modified_gmt":"2020-01-11T11:02:19","slug":"o-evangelho-de-sao-marcos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/dovergilio.com\/rede\/o-evangelho-de-sao-marcos\/","title":{"rendered":"O Evangelho de Marcos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o antiga, que remonta ao s\u00e9c. II, atribui o texto deste Evangelho a Marcos, identificado com Jo\u00e3o Marcos, filho de Maria, em cuja casa os crist\u00e3os se reuniam para orar (Act 12,12). Com Barnab\u00e9, seu primo, Marcos acompanha Paulo durante algum tempo na primeira viagem mission\u00e1ria (Act 13,5.13; 15,37.39) e depois aparece com ele, prisioneiro em Roma (Cl 4,10). Mas liga-se mais a Pedro, que o trata por \u00abmeu filho\u00bb na sauda\u00e7\u00e3o final da sua Primeira Carta (1 Pe 5,13). Marcos ter\u00e1 escrito o Evangelho pouco antes da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, que aconteceu no ano 70.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O LIVRO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho de Marcos reflecte a catequese que Pedro, testemunha presencial dos acontecimentos, espont\u00e2neo e atento, ministrava \u00e0 sua comunidade de Roma. \u00c9 o mais breve dos quatro e situa-se no C\u00e2non entre os dois mais extensos Mateus e Lucas e a seguir a Mateus, o de maior uso na Igreja. At\u00e9 ao s\u00e9c. XIX, Marcos foi pouco estudado e comentado, para n\u00e3o dizer praticamente esquecido. Santo Agostinho considerava-o como um resumo de Mateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A investiga\u00e7\u00e3o mais aprofundada desde o s\u00e9culo passado, \u00e0 volta da origem dos Evangelhos, trouxe Marcos \u00e0 luz da ribalta; hoje, \u00e9 geralmente considerado o mais antigo dos quatro. Na verdade, sup\u00f5e uma fase mais primitiva da reflex\u00e3o da Igreja acerca do Acontecimento Cristo, que lhe deu origem; e s\u00f3 ele conserva o esquema da mais antiga prega\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, sintetizada em Actos 1,22: come\u00e7a com o baptismo de Jo\u00e3o (1,4) e termina com a Ascens\u00e3o do Senhor (16,19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 comum afirmar-se que todos os outros Evangelhos, sobretudo os Sin\u00f3pticos, sup\u00f5em e utilizaram mais ou menos o texto de Marcos, assim como o seu esquema hist\u00f3rico-geogr\u00e1fico da vida p\u00fablica de Jesus: Galileia, Viagem para Jerusal\u00e9m, Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CARACTER\u00cdSTICAS LITER\u00c1RIAS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revelando certa pobreza de vocabul\u00e1rio e uma sintaxe menos cuidada, Marcos \u00e9 parco em discursos; apresenta apenas dois: o cap\u00edtulo das par\u00e1bolas (cap. 4) e o discurso escatol\u00f3gico (cap. 13). Mas tem muitas narra\u00e7\u00f5es. \u00c9 ex\u00edmio na arte de contar: f\u00e1-lo com realismo e sentido do concreto, enriquece os relatos de pormenores e d\u00e1-lhes vida e cor. A este prop\u00f3sito s\u00e3o t\u00edpicos os casos do possesso de Gerasa, da mulher com fluxo de sangue e da filha de Jairo, no cap. 5. Presta uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s palavras textuais de Jesus em aramaico, por ex. \u00abTalitha q\u00fbm\u00bb (5,42) e \u00abElo\u00ed, Elo\u00ed, lem\u00e1 sabacht\u00e1ni\u00bb (15,34). \u00c9 de referir tamb\u00e9m o dia-tipo da actividade de Jesus, descrito na assim chamada \u201cjornada de Cafarna\u00fam\u201d (1,21-34).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre as per\u00edcopes e simples incisos pr\u00f3prios de Marcos, menciona-se o \u00fanico texto b\u00edblico em que Jesus aparece como \u00abo Filho de Maria\u00bb (6,3), ao contr\u00e1rio dos outros que falam de Maria, m\u00e3e de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PLANO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode dizer-se, porventura de uma forma demasiado simples, que Marcos se faz espectador com os seus leitores. Como eles, acompanha e vive o drama de Jesus de Nazar\u00e9, desenrolado em dois atos, coincidentes com as duas partes deste Evangelho. Ao longo do primeiro, vai-se perguntando: Quem \u00e9 Ele? Pedro responder\u00e1 por si e pelos outros, de forma direta e categ\u00f3rica: \u00abTu \u00e9s o Messias!\u00bb (8,29). O segundo ato pode esquematizar-se com pergunta-resposta: De que maneira se realiza Ele, como Messias? Morrendo e ressuscitando (8,31; 9,31; 10,33-34).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho de Marcos apresenta-nos, assim, uma Cristologia simples e acess\u00edvel: Jesus de Nazar\u00e9 \u00e9 verdadeiramente o Messias que, com a sua Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o, demonstrou ser verdadeiramente o Filho de Deus (15,39) que a todos possibilita a salva\u00e7\u00e3o. \u00abPois tamb\u00e9m o Filho do Homem n\u00e3o veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por todos\u00bb (10,45).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este plano \u00e9 desenvolvido ao longo das 5 sec\u00e7\u00f5es em que podemos dividir o Evangelho de Marcos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">I. Prepara\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio de Jesus: (1,1-13);<br \/>\nII. Minist\u00e9rio na Galileia: (1,14-7,23);<br \/>\nIII. Viagens por Tiro, S\u00eddon e a Dec\u00e1pole: (7,24-10,52);<br \/>\nIV. Minist\u00e9rio em Jerusal\u00e9m: (11,1-13,37);<br \/>\nV. Paix\u00e3o e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus: (14,1-16,20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TEOLOGIA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como os outros evangelistas, Marcos apresenta-nos a pessoa de Jesus e o grupo dos disc\u00edpulos como primeiro modelo da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Jesus de Marcos. Mais do que em qualquer outro Evangelho, Jesus, \u00abFilho de Deus\u00bb (1,1.11; 9,7; 15,39), revela-se profundamente humano, de contrastes por vezes desconcertantes: \u00e9 acess\u00edvel (8,1-3) e distante (4,38-39); acarinha (10,16) e repele (8,12-13); imp\u00f5e \u201csegredo\u201d acerca da sua pessoa e do bem que faz e manda apregoar o benef\u00edcio recebido; manifesta limita\u00e7\u00f5es e at\u00e9 aparenta ignor\u00e2ncia (13,22). \u00c9 verdadeiramente o \u00abFilho do Homem\u00bb, t\u00edtulo da sua prefer\u00eancia. Deste modo, a pessoa de Jesus torna-se misteriosa: porque encerra em si, conjuntamente, um homem verdadeiro e um Deus verdadeiro. Vai residir aqui a dificuldade da sua aceita\u00e7\u00e3o por parte das multid\u00f5es que o seguem e mesmo por parte dos disc\u00edpulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira parte deste Evangelho (1,14-8,30), Jesus mostra-se mais preocupado com o acolhimento do povo, atende \u00e0s suas necessidades e ensina; na segunda parte (8,31-13,36) volta-se especialmente para os Ap\u00f3stolos que escolheu (3,13-19): com s\u00e1bia pedagogia vai-os formando, revelando-lhes progressivamente o plano da salva\u00e7\u00e3o (10,29-30.42-45) e introduzindo-os na intimidade do Pai (11,22-26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Disc\u00edpulo de Jesus. Este Jesus, t\u00e3o simples e humano, \u00e9 tamb\u00e9m muito exigente para com os seus disc\u00edpulos. Desde o in\u00edcio da sua prega\u00e7\u00e3o (1,14), arrasta as multid\u00f5es atr\u00e1s de si e alguns disc\u00edpulos seguem-no (1,16-22). Ap\u00f3s a escolha dos Doze (3,13-19), come\u00e7a a haver uma certa separa\u00e7\u00e3o entre este grupo mais \u00edntimo e as multid\u00f5es. Todos seguem Jesus, mas de modos diferentes. Este seguimento exige esfor\u00e7o e capacidade de abertura ao divino, que se manifesta em Jesus de forma velada e indireta atrav\u00e9s dos milagres que Ele realiza. \u00c9 por meio dos milagres que o disc\u00edpulo descobre no Filho do Homem a presen\u00e7a de Deus, vendo em Jesus de Nazar\u00e9 o Filho de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque a pessoa de Jesus \u00e9 essencialmente misteriosa, para o seguir, o disc\u00edpulo precisa de uma f\u00e9 a toda a prova: sente-se tentado a abandon\u00e1-lo, vendo nele apenas o carpinteiro de Nazar\u00e9. Por isso, Jesus \u00e9 tamb\u00e9m um incompreendido: os seus familiares pensam que Ele os trocou por uma outra fam\u00edlia (3,20-21.31-35); os doutores da Lei e os fariseus n\u00e3o aceitam a sua interpreta\u00e7\u00e3o da Lei (2,23-28; 3,22-30); os chefes do povo e dos sacerdotes v\u00eaem-no como um revolucion\u00e1rio perigoso para o seu \u201cstatus quo\u201d (11,27-33). Da\u00ed que, desde o in\u00edcio deste Evangelho, se desenhe o destino de Jesus: a morte (3,1-6; 14,1-2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, os disc\u00edpulos \u00abde dentro\u00bb n\u00e3o s\u00e3o muito melhores do que \u00abos que est\u00e3o de fora\u00bb (4,11). Tamb\u00e9m eles sentem dificuldade em compreender o mist\u00e9rio da pessoa de Jesus: parecem-se com os cegos (8,22-26; 10,46-53).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A incompreens\u00e3o \u00e9 uma das mais negativas caracter\u00edsticas no disc\u00edpulo do Evangelho de Marcos. \u00c9 essa a raz\u00e3o pela qual, ao confessar o messianismo de Jesus (8,29), Pedro pensava num messias (termo hebraico que significa \u201cCristo\u201d) mais pol\u00edtico que religioso e que libertasse o povo dos romanos dominadores. Isso aparece claro quando Jesus desvia o assunto e anuncia pela primeira vez a sua Paix\u00e3o dolorosa (8,31); Pedro, n\u00e3o gostando de tal messianismo, come\u00e7a a repreender o Mestre (8,31-33). O que ele queria era como todos os disc\u00edpulos de todos os tempos um cristianismo sem esfor\u00e7o e sem grandes compromissos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da incompreens\u00e3o manifestada pelos disc\u00edpulos em rela\u00e7\u00e3o aos seus ensinamentos, Jesus n\u00e3o desanima e continua a ensin\u00e1-los (8,31-38; 9,30-37; 10,32-45). O efeito n\u00e3o foi muito positivo: no fim da caminhada para Jerusal\u00e9m e ap\u00f3s Ele lhes ter recordado as dificuldades por que iria passar a sua f\u00e9 (14,26-31), ao verem-no atrai\u00e7oado por um dos Doze e preso (14,42-45), \u00abdeixando-o, fugiram todos\u00bb (14,50). Este \u00e9, certamente, o Evangelho onde qualquer crist\u00e3o se sentir\u00e1 melhor retratado.<\/p>\n<p><span style=\"color: #003366;\"><strong>Veja uma contribui\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas:<\/strong><\/span> <a href=\"https:\/\/dovergilio.com\/rede\/mark\/\">The Gospel of Mark<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tradi\u00e7\u00e3o antiga, que remonta ao s\u00e9c. II, atribui o texto deste Evangelho a Marcos, identificado com Jo\u00e3o Marcos, filho de Maria, em cuja casa os crist\u00e3os se reuniam para orar (Act 12,12). 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